FERTILIZANTES FOLIARES


A CULTURA DO MORANGO

04/02/2010 09:43

A CULTURA DO MORANGUEIRO
 
 
 


Cultivares

Os cultivares mais plantados no Brasil são: Campinas, Dover, Reiko, Chandler, Princesa Isabel, considerados como cultivares de mesa, para consumo "in natura". Como cultivares para industrialização temos: Guarani e Konvoy-Cascata, sendo este último muito explorado no Rio Grande do Sul. Todos esses cultivares são considerados de dias curtos ou sensíveis ao fotoperíodo. Nos últimos anos têm sido introduzidos cultivares como: Toyonoka, Korona, Oso Grande e outros, que estão sendo testados nas regiões produtoras.

Nos cultivares considerados de dias neutros ou indiferentes ao fotoperíodo, como Fera, Selva, Muir, Irvine e Yolo, entre outros, foram introduzidos dos Estados Unidos e estão em fase de experimentação sob nossas condições.

A escolha de um cultivar para consumo "in natura" deve recair sobre os seguintes aspectos:

• Propagação - o cultivar a ser escolhido deve ter facilidade de propagação, sem excessiva formação de estolhos, o que dificulta a formação de mudas vigorosas.

• Resistência a doenças - os cultivares devem ser resistentes, principalmente, a Micosphaerella fragariae e podridões de raízes e frutos.

• Flração - deve ser reflorescente, de flores completas e grandes.

• Frutificação - os frutos deve estar localizados fora da cobertura foliar para apresentarem melhor coloração, tamanho grande e uniforme, e melhores qualidades organolépticas.

• Precocidade - é desejável que o cultivar produza o mais cedo possível, a partir de maio e junho.

• Produtividade - a produção por planta do cultivar escolhido nunca deve ser inferior a 300 g de frutos comerciais por ciclo.

Para os cultivares destinados à industrialização, os frutos devem apresentar tamanho médio, formato cônico ou arredondado, com coloração vermelho-viva, polpa vermelha e firme, aquênios pequenos e pouco numerosos e cálice facilmente separável do fruto.

Em virtude de o morangueiro ser muito sensível às variações climáticas, os cultivares costumam apresentar características diferentes, dependendo da região em que são plantados. Um cultivar que em sua região de origem é mais produtivo e resistente à doenças pode produzir menos ou ser mais suscetível aos patógenos em outras regiões.

As características de alguns cultivares comerciais de morangueiro são apresentadas a seguir, observando-se que a descrição é válida para as regiões mais apropriadas para o cultivar em questão:

• Campinas - apresenta produção boa e precoce, com frutificação fora da área das folhas, o que facilita a colheita. Os frutos são grandes, alongados, de formato cônico e com "pescoço" regularmente firme, vermelho-rosa-brilhantes externamente e rosa internamente. O cálice destaca-se facilmente do fruto. Produz de 2 a 5 kg de frutos/m2. É recomendado para o consumo "in natura", servindo também para a industrialização.

• Chandler - planta de alto vigor, densidade de folha média, coroa grossa, produção inicial tardia, produtividade alta. O formato do fruto é grande, cônico, alongado. A epiderme e a polpa são de coloração vermelho-escura, com sabor subácido e aroma ativo. É um cultivar que pode ser utilizado para mesa e para indústria, pois suas frutas primárias e secundárias são grandes, e as terciárias e as quaternárias são pequenas.

• Dover - planta de vigor médio, coroa grossa, produção inicial precoce, produtividade alta, fruto grande de formato cônico-alongado, epiderme e polpa firme de coloração vermelho-intensa, pouco ácido e de aroma pouco evidenciado. É um cultivar para mesa.

• Guarani - apresenta plantas moderadamente vigorosas, semieretas, com folhas verde-claras e textura delicada. Os frutos são cônicos e de sabor ácido, coloração externa vermelho-brilhante e interna vermelho-intensa, exceto no centro que é branca. É um cultivar precoce e apresenta boa produtividade. É mais recomendado para a industrialização.

• Konvoy-Cascata - a planta é de vigor médio e alto, com boa produtividade. Apresenta produção tardia. Os frutos são de tamanho pequeno a médio, de formato cônico, bastante firmes e coloração vermelho-intensa, tanto externa, como internamente. Possui alto teor de sólidos solúveis e acidez, apresentando excelente qualidade para a industrialização.

Clima e época de plantio

O morangueiro é plantado desde o sul de Minas Gerais até o Rio Grande do Sul. Em regiões quentes, como o Cerrado, o morango também pode ser cultivado, porém os agricultores devem armazenar as mudas a 4ºC, por cerca de 15-20 dias, para, posteriormente, plantá-las nos canteiros definitivos.

Para exibir todo o seu potencial produtivo, o morangueiro necessita de dias curtos e temperaturas amenas ou baixas. Essas condições estimulam o florescimento e, consequentemente, a produção dos frutos. Por outro lado, sob condições de dias longos e temperaturas elevadas, o crescimento vegetativo é estimulado. O conhecimento desses aspectos é útil para definir a época de plantio e/ou a época para a produção de mudas. Dessa maneira, o plantio do morangueiro para a produção de frutos deve ser feito de fevereiro a maio, enquanto que para a produção de mudas a época preferencial é de setembro a outubro.

Para o plantio de morangueiros destinados à produção de frutos, as melhores épocas em função da altitude, para o Estado de São Paulo, são:

• regiões com altitude acima de 700 metros, plantar em fevereiro e março;

• regiões com altitude variando de 600 a 700 metros, plantar em abril;

• regiões com altitude abaixo de 600 metros, plantar em maio.

Tratos culturais


Irrigação

O morangueiro exige grande disponibilidade hídrica para atingir altas produções. As irrigações devem, inicialmente, ser diárias até 30-40 dias após o plantio, e depois, a cada duas vezes por semana. Podem ser realizadas por aspersão ou gotejamento. Devem-se evitar irrigações excessivas que podem facilitar a incidência de doenças na lavoura.

Cobertura do solo (mulching)

A cultura do morangueiro exige a cobertura do solo para evitar o contato dos frutos com o mesmo, e dessa maneira a proliferação de fungos causadores de podridões. Além disso, a cobertura do solo propicia um bom controle de ervas invasoras, a manutenção da umidade e evita a morte das raízes superficiais.

Em trabalho realizado com o cultivar Chandler foi comprovado um aumento em termos de produção na ordem de 50 a 60% em relação ao cultivar sem cobertura, quando se utilizou cobertura do solo com diversos tipos de plásticos. Aliás, diversos materiais têm sido pesquisados e utilizados para este fim, desde produtos naturais até os sintéticos; atualmente o mais usado e que na realidade parece ser o melhor é o polietileno preto. Porém, outros materiais utilizados, como fita de madeira picada, casca de arroz, palha de cereais, bagaço de cana picada, capim sem semente, acículas de pinus, serragem e outros. A cobertura do solo deve ser feita logo após o plantio das mudas

Combate à erosão

O combate à erosão é feito plantando-se em canteiros em nível ou camalhões, com ligeiro desnível para o escoamento da água. A forração dos espaços entre os canteiros com capim seco também é indicada, levando em consideração as prescrições da lei do uso do solo.

Principais doenças

O morangueiro é atacado por uma série de doenças, que podem ser agrupadas de acordo com o agente causal: fungos, bactérias, vírus e nematóides.

Doenças causadas por fungos

Nesse grupo, estão as doenças fúngicas, como antracnose, manchas-foliares, murchas e prodridões-dos-fungos.

A antracnose é, atualmente, uma das mais importantes doenças que pode atingir o morangueiro. Existem duas formas de sintomatologia:

• a conhecida por chocolate, que pode atingir o rizoma, os frutos, os pecíolos e outras partes da planta;

• a conhecida por flor-preta, que atinge mais comumente os pedúnculos, as flores e os frutos pequenos e em desenvolvimento.

A forma conhecida por chocolate é causada pelo fungo Colletotrichum fragariae, podendo atingir a planta em qualquer idade, mas que é responsável pelos severos danos causados durante o transplante, quando determina uma acentuada reduçào do estande e a consequência queda da produção.

O sintoma característico no interior do rizoma, quando cortado, é o aparecimento de um tecido necrosado, de coloração marrom e firme. Na parte aérea da planta, nota-se um murchamento progressivo, que tem início nas folhas mais velhas e culmina com a seca da parte aérea.

A origem do inoculo da doença pode ser através de mudas contaminadas ou restos culturais, e a sua disseminação, dentro da área de cultivo, é feita pela água (chuva ou irrigação) e por ferimentos de diferentes origens (transplante, colheita, etc).

A forma conhecida por flor-preta produz, nos ramos florais, uma necrose, e os frutos novos e em desenvolvimento tornam-se escuros e mumificados (secos). Em frutos já desenvolvidos, podem aparecer manchas marrons, profundas e firmes. O patógeno causador da doença é o fungo Colletotrichum acutatum.

Como medidas de controle, recomendam-se mudas sadias, rotação de culturas, destruição dos restos culturais, plantio em áreas bem-drenadas e a utilização de cultivares mais tolerantes.

No grupo das manchas foliares, encontramos como principais doenças: mancha-de-micosferela, mancha-de-diplocarpon e mancha-de-dendrofoma. As manchas foliares encontram condições muito boas para proliferação na cultura, devido à alta umidade reinante no ambiente e à elevada densidade foliar que dificulta uma melhor aeração.

Dos três tipos de manchas, a mais importante é a mancha-de-micosferela causada pelo fungo Mycosphaerella fragariae, que tem uma ocorrência bastante generalizada em quase todas as áreas de cultivo. No início, surgem pequenas manchas de coloração púrpura, circulares que, quando desenvolvidas, atingem 3-4 mm de diâmetro.

O controle para essas doenças deve ser feito com fungicidas cadastrados que apresentem boa eficiência. A remoção das folhas velhas, severamente danificadas pela doença, também auxilia no controle, uma vez que contribui para a diminuição do inoculo e também porque facilita a ação dos fungicidas.

No grupo das murchas e podridões do rizoma e das raízes, encontramos vários fungos que normalmente habitam o solo e que causam, nas plantas atacadas, apodrecimento do rizoma e morte das raízes. Na parte dessas mesmas plantas, observa-se um murchamento das folhas mais velhas, evoluindo para crestamento e morte.

Dentre os principais fungos causadores dessas podridões, encontram-se: Verticillium albo-atrum, Phytophthora sp, Fusarium sp, Rhizoctonia solani, Pythium sp, etc.

As medidas para o controle podem ser resumidas em:

• mudas sadias, isentas do patógeno;

• evitar áreas de plantio com histórico da doença;

• evitar áreas de plantio anteriormente ocupadas com batata, tomate, algodão, pimentão, berinjela, etc;

• eliminar as plantas com suspeita de contaminação;

• fazer rotação de cultuas.


No grupo das podridões dos frutos, encontram-se vários fungos que afetam diretamente o produto comercial da planta, cuja contaminação pode acontecer no campo ou durante o processo de comercialização.

As condições que favorecem o aparecimento dessas podridões são os danos mecânicos durante a colheita e o aquecimento provocado pela cobertura plástica. Os principais fungos causadores dessas podridões são: Botrytis cinérea, que causam o mofo-cinzento; Colletotrichum sp; Phytophthora sp e Rhizoctonia solani.

Como medidas para o controle, recomendam-se o uso da cobertura do canteiro com filme de polietileno, colheita nos períodos mais secos do dia, transporte e armazenamento em baixas temperaturas e uso de fungicidas específicos.

Doenças causadas por bactérias

Nesse grupo, ocorre a doença conhecida por mancha-angular, causada pela bactéria Xanthomonas fragariae. Incide nas folhas causando manchas angulares, com aspecto de encharcamento, colapso dos pecíolos e morte das plantas. As condições favoráveis são temperatura ao redor de 20ºC e alta umidade relativa. O controle deve ser preventivo e na forma de erradicação de plantas suspeitas.

Doenças causadas por vírus

No morangueiro, ocorrem diferentes tipos de viroses, como o mosqueado, que é o tipo mais comum, clorose marginal, encrespamento e faixa das nervuras.

Os dados provocados pelas viroses no morangueiro estão ligados ao sistema de multiplicação da planta, que é vegetativo, permitindo uma perpetuação da infecção e, também, devido à ocorrência de afídeos que se encarregam da transmissão dessas viroses.

O controle para viroses deve ser feito através de:

• mudas sadias;

• eliminação de plantas doentes;

• controle dos insetos vetores (pulgões);

• utilização de matrizes testadas e isentas de viroses.

Doenças causadas por nematóides

Como nematóides parasitas do morangueiro, podemos encontrar o Aphelenchoides besseyi, parasita da parte aérea, o Meloidogyne hapla e Pratylenchus vulnus, parasitas das raízes.

Os danos causados por nematóides se traduzem por lesões nas raízes e redução do sistema radicular ativo da planta. As lesões podem facilitar a penetração futura de fungos de solo.

Como conseqüência do ataque de nematóides, ocorre uma maior facilidade para a planta absorver água e nutrientes, o que leva ao aparecimento de sintomas, como: murchamento, amarelecimento, subdesenvolvimento e redução da produção.

Para o controle de nematóides, recomendam-se:

• uso de mudas saídas;

• rrancar e destruir plantas contaminadas;

• evitar plantio em áreas já contaminadas;

• rotação de culturas;

• revolvimento do solo em períodos quentes do dia.


Data Edição: 16/02/06    
Fonte: www.srjundiai.com.br    

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